Por Zainara Costa da Silveira Advogada
Sócia do escritório Renato Von Mühlen Advogados Associados
Recentemente, uma pesquisa realizada pelo Portal Meu Bolso Feliz, revelou que a aposentadoria não é uma preocupação para a maioria dos brasileiros. Os dados da pesquisa demonstram que 66% dos entrevistados não pensam no futuro e acabam dependendo exclusivamente da aposentadoria do Governo. Deste número, 35,2% dos entrevistados confessaram que não se preparam de nenhuma maneira para a aposentadoria e, a parcela de 30,8%, afirmou que o preparo existe, no entanto, em caso de eventual desemprego teriam dinheiro pra sobreviver por, no máximo, três meses.
No Brasil, é notório que ainda não há uma cultura de preparo e planejamento para a aposentadoria, o que acaba por transformar um momento no qual o trabalhador deveria merecidamente “descansar”, dedicando mais tempo à família, amigos, lazer, estudos, em um momento de muita ansiedade e incertezas. Na grande maioria dos processos de aposentadoria, a ansiedade e preocupação deles decorrente se originam da constatação de que a renda paga pelo Governo não é a mesma paga durante o período produtivo, pois a Legislação Previdenciária hoje vigente sofre a incidência do chamado fator previdenciário. Dessa forma, o trabalhador ao se aposentar é normalmente surpreendido pelo fato de que a renda da inatividade não é suficiente para manter o padrão de vida e propiciar uma vida financeira estável.
O fator previdenciário, como sabido, é o mecanismo utilizado pelo INSS na tentativa de adiar a aposentadoria dos trabalhadores mais jovens, trazendo aos mesmos uma espécie de “penalização” para quem se aposenta mais cedo. Um dos fatores utilizados pela Previdência para calcular o fator previdenciário é a expectativa de vida, que recentemente foi alterada, de acordo com os dados da tábua de mortalidade divulgada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) projetada para o ano de 2014, passou de 74,1 anos em 2011, para 74,6 anos em 2012.
Assim, para os aposentados que não possuem fundo de reserva, seja através de uma poupança, previdência privada ou investimento imobiliário, o que se verifica é que necessitam estes permanecer na ativa, trabalhando sempre, caso não queiram reduzir o padrão de vida. É de grande importância, diante dessa realidade, que seja feito um planejamento previdenciário, que possa prever a melhor data para requerer a aposentadoria, bem como oferecer simulações de seu valor estimado.
Com antecedência, é possível, ainda, traçar uma estratégia de recolhimentos e tempo de contribuição, sempre com o objetivo de obter o melhor benefício.
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