Leia a íntegra da matéria do Portal Sul21:

O Sindicato dos Engenheiros do Rio Grande do Sul (Senge) realizará, no dia 22 de junho, um seminário cujo tema é “Tecnologia, inovação e soberania: a engenharia como vetor do desenvolvimento”, em comemoração a seus 75 anos de existência. O evento, realizado em parceria com a Federação Nacional dos Engenheiros e com apoio do CREA-RS, tem inscrições gratuitas. “Ao longo de toda a sua trajetória, o Senge esteve sempre muito atento a todas as questões que envolvem a engenharia, mas também a sociedade em geral. Em tecnologia podemos ter grandes descobertas que não se transformam em inovação – que é aquilo que vai mudar o contexto de vida das pessoas. Além disso, e como grande destaque, a gente traz a questão da soberania nacional”, explica Nanci Begnini Giugno, que é Diretora de Apoio e Qualificação Profissional Adjunta da entidade e integrante da comissão técnica do seminário.
“Temos a convicção de que é preciso investir em investigação, ciência, tecnologia, ainda mais porque o Brasil é reconhecido mundialmente como possuidor de condições, ambiente, riquezas, para que fossemos um país soberano”, diz Nanci Giugno. Foto: Felipe Gaieski – Divulgação/Senge.
Ela argumenta que o desenvolvimento de tecnologia é um imperativo para que o Brasil deixe a condição de “dependente da exportação de commodities”: “temos a convicção de que é preciso investir em investigação, ciência, tecnologia, ainda mais porque o Brasil é reconhecido mundialmente como possuidor de condições, ambiente, riquezas, para que fossemos um país soberano. Mas não somos. Minérios saem do país, sem agregação de valor, e voltam pra cá, depois, como manufaturas. Saem plantas que se transformam em medicamentos. Temos, porém, um nível de patentes bastante baixo em relação a outros países. Mais grave: temos cases de alta tecnologia e inovação que frente a toda questão de corrupção, parecem que estão sendo massacrados de uma forma geral”, diz a engenheira.
Uma das palestras é sobre o caso da Embraer, empresa transnacional brasileira fabricante de aviões, nascida em um contexto de substituição de importações. O engenheiro Ozieres Silva, primeiro presidente da instituição e líder do desenvolvimento do avião Bandeirante – o primeiro avião projetado e montado pela empresa –, será responsável pela exposição. “É um caso reconhecido mundialmente de sucesso de desenvolvimento da indústria brasileira”, diz Nanci.
O segundo caso abordado pelo seminário é o de Petrobras, “que tem uma tecnologia que nós conseguimos desenvolver no país para exploração de petróleo na camada pré-sal, mesmo frente a países altamente desenvolvidos”, explica Nanci. Ela afirma que os recentes casos de corrupção na cúpula da empresa foram motivos para a criação de um imaginário que coloca todas as atividades sob suspeita: “nos anos 70 um engenheiro tinha orgulho de dizer que era funcionário, era um sonho entrar na Petrobrás, hoje ele pode ser visto como corrupto. Mata-se uma empresa brasileira por conta disso. Que alternativas existem para a gente realmente separar o joio do trigo? O objetivo é discutir isso.”
Outro painel – sobre “uma das questões nas quais o sindicato tem se debruçado muito”, diz Nanci – é sobre o papel das fundações estaduais de pesquisa tecnológica para desenvolvimento. As instituições, que o governo Sartori pretende extinguir, têm, de acordo com a engenheira, “qualidade de seus trabalhos, que são auto-sustentáveis, com pesquisa tecnológica desenvolvida”. O seminário trará os casos da Cientec e da Fepagro, e o mediador será da FEE. “Ele vai dar um panorama sobre todas as outras fundações que também são importantes. Elas foram criadas para poderem acessar programas de recursos que a administração direta não pode”, explicou.
O último painel trata sobre ensino e inovação em engenharia. “A gente pegou a questão dos parques tecnológicos, porque maioria de nós entende que não se pode ficar só na questão da engenharia dura”, justificou Nanci. Ela diz que é preciso aproveitar todo o conhecimento que a academia produz e traduzir isso na prática dos empreendimentos. “Por isso a criação desses parques, onde, desde cedo, se começa a utilizar conhecimento, pesquisa, em práticas. Um empreendedor, de repente, propõe uma nova maneira de produzir algo, pode receber acolhimento de parques tecnológicos para ajudá-lo, oferecer laboratórios, incentivar para que algo seja colocado no mercado, como as incubadoras”, explica.
As inscrições são feitas aqui. Mais detalhes e a programação completa podem ser encontrados no site do Senge.
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