11/01/2023

Cresce Brasil: Propostas para uma nação soberana, próspera e com justiça social

 

A mais recente edição do projeto “Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento”, preparada no final de 2022 e disponível ao público neste início de 2023, faz uma aposta otimista na capacidade nacional de superar a pobreza, a precariedade social e o atraso econômico, científico e tecnológico. Grave e complexo, este cenário, no entanto, deve servir para mobilizar o Brasil em busca de desenvolvimento econômico sustentável, com distribuição de renda e preservação ambiental. Mais que recuperar os prejuízos dos últimos anos, é possível, apesar de todas as dificuldades, repensar os caminhos do País para aproveitar suas vantagens estratégicas à geração de riqueza em prol da maioria do povo brasileiro.

Confira íntegra do documento e as notas técnicas dos especialistas

Sob o título “Hora de avançar – Propostas para uma nação soberana, próspera e com justiça social”, a décima edição da iniciativa lançada pela Federação Nacional dos Engenheiros (FNE) em 2006 parte de algumas premissas fundamentais. Entre elas, o imprescindível papel do Estado como indutor do desenvolvimento, assegurando investimentos em infraestrutura urbana e de produção.

Ainda, a implantação de uma política industrial efetiva que alavanque o segmento, buscando ganhos de produtividade e competitividade no mercado global, o que exigirá investimentos públicos e privados em ciência, tecnologia e inovação, unindo órgãos públicos, as universidades e o setor produtivo.

O trabalho, produzido a partir de notas técnicas elaboradas por especialistas nos respectivos setores e debatidas entre os engenheiros, aponta o papel fundamental da agropecuária brasileira. Considerada decisiva para a economia nacional e balança de pagamentos, deve ter estímulo para crescer, com sustentabilidade socioambiental e ganho de valor agregado em seus principais modos de produção – orgânica, familiar, agroflorestal e de escala e amplamente tecnificada.

Garantir segurança alimentar aos brasileiros deve entrar na agenda do setor como objetivo prioritário e coordenado com políticas públicas que visem à erradicação da fome no País em caráter de urgência. “Não é aceitável que a mesma nação registre sucessivos recordes de safras – a estimativa de produção de cereais, leguminosas e oleaginosas em 2022 é de 261,4 milhões de toneladas segundo o IBGE [Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística] – e exportação de alimentos e tenha mais da metade de sua população sem a garantia de um prato de comida para a próxima refeição”, destaca a publicação.

Nesse esforço rumo ao desenvolvimento, está contemplada a premência em se enfrentar as mudanças climáticas e descarbonizar a economia, desafio de monta, que pode ser oportunidade valiosa ao Brasil, já detentor de uma matriz energética 80% renovável, especialmente pela geração hidrelétrica, e com grande potencial fotovoltaico e eólico. A avaliação é que dominar a tecnologia e desenvolver a cadeia de produção nessa seara representará empregos para engenheiros e diversos outros profissionais e qualidade de vida à sociedade.

Na empreitada, será preciso contar com Petrobras e Eletrobras, voltando a gestão desses conglomerados ao interesse público e objetivos estratégicos do País. Isso implica, indica o documento, brecar o desmonte da primeira e atuar para recuperar o controle da segunda, alterando a Lei 14.182/2021 que privatizou a companhia energética.

Qualidade de vida

562DesigualdadeSocial01

Entre as mazelas sociais a serem vencidas no País, está o déficit de 5,8 milhões de unidades habitacionais. Foto: Fernando Frazão/Agência BrasilMeta essencial desse salto de qualidade como nação, defende o “Cresce Brasil”, é oferecer condições de vida adequadas à população, a começar por eliminar o atual déficit de 5,8 milhões de moradias. Além de mobilizar recursos financeiros para a tarefa que terá impacto positivo na construção civil e na geração de empregos diretos e indiretos, é necessário planejar e executar projetos de desenvolvimento urbano, e não só de edificação de unidades habitacionais. Há que se pensar a mobilidade, por exemplo, aproximando dos locais de residência o trabalho, o estudo, o lazer, a cultura e o comércio.

Conforme explicam os especialistas, a missão passa ainda por programas públicos para investimentos na ampliação de capacidade em resíduos sólidos, educação, saúde, água e saneamento, iluminação pública e transporte. Este último requer a implantação de sistemas eficientes e, como demonstram os melhores exemplos no mundo desenvolvido capitalista, deve haver investimento público de todas as instâncias administrativas na sua expansão e operação, já que o serviço tem que ser subsidiado.

Em todo esse universo, é patente a demanda por quadro técnico qualificado, notadamente engenheiros das diversas modalidades que precisam ser alocados nas administrações públicas. Especial atenção precisa ser dada à necessidade de manutenção em todas as áreas, como forma de garantir segurança, qualidade de vida e economia de recursos, evitando-se a deterioração das cidades e dos equipamentos públicos.

Nesse contexto, mantém-se a proposta do projeto “Cresce Brasil” de instituição da área de Engenharia de Manutenção nas administrações públicas, com orçamento e quadro técnico próprio, com o objetivo de garantir o trabalho preventivo permanente e qualificado.

Engenheiros para o Brasil

A nova edição do projeto elege ainda como prioritária a formação adequada dos profissionais ligados ao desenvolvimento e ao bem-estar da população por excelência, ou seja, os engenheiros de todas as modalidades e titulações, atuantes nos diversos segmentos econômicos. A avaliação do “Cresce Brasil” é que as escolas de engenharia devem incentivar a criatividade e o empreendedorismo, com projetos que desenvolvam a autonomia dos estudantes, visando preparar essa mão de obra qualificada, cuja missão será solucionar problemas cada vez mais complexos.

Ainda majoritariamente masculina e branca, a engenharia também terá ganhos com a ampliação da diversidade, sendo, portanto, importante iniciativas que busquem a equidade de gênero e racial na profissão.


Superar quadro de miséria e precariedade 

562MoradoresRua RicardoBorges FolhapressEd

Com aumento da pobreza, cresce número de moradores de rua. Foto: Ricardo Borges/Folhapress
As propostas do projeto “Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento” organizadas na edição “Hora de avançar” têm o objetivo primordial de contribuir para superar o grave quadro socioeconômico nacional de avanço da pobreza e da fome, de falta de moradia e precariedade urbana em geral, de alto desemprego com informalidade crescente e insuficiência de serviços públicos essenciais. Evidente a quem transita pelas grandes cidades brasileiras, com o aumento da população em situação de rua e vulnerabilidade, os indicadores disponíveis não deixam dúvidas quanto à gravidade da situação.

Em 2021, a pobreza atingiu 62,5 milhões de pessoas, das quais 17,9 milhões se encontram na chamada extrema pobreza, o que significa, pelos critérios adotados pelo Banco Mundial, sobreviver com renda de R$ 168,00 mensais per capita. O resultado é o pior desde 2012, início da série histórica apurada pelo IBGE.

Faceta mais terrível desse quadro, a fome aflige 33,1 milhões de brasileiros, conforme o Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia de Covid-19 no Brasil, que coletou dados entre novembro de 2021 e abril de 2022, com amostra de 12.745 domicílios em 577 municípios de áreas urbanas e rurais. A pesquisa conduzida pela Rede Penssan aponta ainda que apenas quatro em cada dez famílias têm condições de acesso pleno a alimentação, e há um total de 125 milhões de pessoas, ou 58,5% da população, sofrendo com insegurança alimentar em algum grau.

Tamanho flagelo humano resulta principalmente do desemprego que segue elevado, apesar da redução verificada no trimestre de agosto a outubro de 2022 pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua. Esta aponta desocupação de 8,3% contra 9,1% do período anterior, somando cerca de 9 milhões. No entanto, a subutilização da força de trabalho, que leva em conta também os subocupados por insuficiência de horas em atividade e os desalentados, aqueles que desistiram de buscar uma vaga, soma 22,7 milhões de indivíduos.

Nesse contexto geral, preocupante é ainda a taxa de informalidade de 39,1% da população ocupada, compondo o contingente de 39 milhões abandonados à precarização, sem direitos, seguridade social ou expectativa de aposentadoria.

Deixa a desejar o rendimento real habitual médio do trabalhador brasileiro apurado no período em R$ 2.754,00, bem abaixo do salário mínimo necessário calculado em R$ 6.458,86 pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) para outubro de 2022. O montante corresponde ao ganho que uma família de quatro pessoas precisa para suprir despesas com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência, tendo em vista o custo de vida nacional. Para se ter uma ideia, no mesmo mês, só a cesta básica, também pesquisada pelo Dieese, variava de R$ 515,51, em Aracaju, o valor mais baixo do País, a R$ 768,82, em São Paulo, o mais alto.

O desafio colocado ao Brasil é, portanto, gerar empregos de qualidade, com formalização e salários justos, criando um círculo virtuoso de fortalecimento do mercado interno e mais crescimento do consumo e da produção. Isso exige necessariamente a retomada do setor industrial, precocemente encolhido. Conforme o IBGE, em outubro de 2022 a produção nacional da indústria teve variação positiva de tímidos 0,3%, longe de recuperar as quedas recentes, acumuladas em 0,8% no ano e 1,4% em 12 meses. O resultado é 2,1% abaixo do patamar no período pré-pandemia, em fevereiro de 2020, e menos 18,4% em relação ao nível recorde registrado em maio de 2011.

Murilo Pinheiro Soea2016

Murilo Pinheiro, presidente do SEESP e da FNE: melhorar a vida da população e avançar em ciência, tecnologia e inovação. Foto: Silvio Vera Fotografias

Confirmando o quadro, a Pesquisa Industrial Anual (PIA) Empresa mostra que entre 2011 e 2020, o setor perdeu 9.579 empresas e 1 milhão de postos de trabalho, sendo 5.747 nas indústrias extrativas e 998.200 nas de transformação. Os empregos na engenharia, que haviam crescido 87% entre 2003 e 2013, sofreram o impacto direto desse retrocesso, com os profissionais enfrentando dificuldades no mercado de trabalho a partir de 2014.

O esforço de transformar radicalmente essa situação, resume Murilo Pinheiro, presidente do SEESP, que também está à frente da FNE, deve acontecer em duas direções conjuntamente. “A primeira é melhorar imediatamente as condições de vida da população brasileira. A segunda, que tem como objetivo último promover os meios para que haja justiça social e bem-estar, está focada nas áreas consideradas estratégicas para que o Brasil dê um salto efetivo de desenvolvimento: investimentos em pesquisa e desenvolvimento, reindustrialização do País levando em conta suas vantagens estratégicas e a dinâmica da economia global.”

Fonte: FNE / Rita Casaro – Jornal do Engenheiro / Imagem no destaque: Arte – Eliel Almeida

Leia também

15/04/2024

Programa SENGE Solidário celebra três anos em evento nesta quinta-feira (18/04). Participe!

15/04/2024

Artigo | Programa SENGE Solidário aproxima quem sabe fazer de quem mais precisa

12/04/2024

Dia Nacional de Conservação do Solo: Engenheiros Agrônomos ressaltam a importância da preservação

Descontos DELL Technologies

Aproveite os descontos e promoções exclusivas para sócios do SENGE na compra de equipamentos, periféricos e serviços da DELL Technologies.

Livro SENGE 80 anos

Uma entidade forte, protagonista de uma jornada de inúmeras lutas e conquistas. Faça o download do livro e conheça essa história!

Tenho interesse em cursos

Quer ter acesso a cursos pensados para profissionais da Engenharia com super descontos? Preencha seus dados a seguir para que possa entrar em contato com você:

Realizar minha inscrição

Para realizar a sua inscrição, ao preencher o formulário a seguir, escolha o seu perfil:

Profissionais: R$ 0,00
Sócio SENGE: R$ 0,00
Estudantes: R$ 0,00
Sócio Estudantes: R$ 0,00
CURRÍCULO

Assine o Engenheiro Online

Informe o seu e-mail para receber atualizações sobre nossos cursos e eventos:

Email Marketing by E-goi

Ao fornecer seu dados você concorda com a nossa política de privacidade e a maneira como eles serão tratados. Para consulta clique aqui

Tenho interesse em me associar

Se você tem interesse de se associar ao SENGE ou gostaria de mais informações sobre os benefícios da associação, preencha seus dados a seguir para que possa entrar em contato com você:

Ao fornecer seu dados você concorda com a nossa política de privacidade e a maneira como eles serão tratados. Para consulta clique aqui

Entre em contato com o SENGE RS

Para completar sua solicitação, confira seus dados nos campos abaixo:

× Faça contato