Gravado no contexto do 30º CBENC, realizado em Porto Alegre, o episódio reúne Vivian e o engenheiro Valter Sarmento (presidente da ABENC-BA), em conversa com o host Felipe Nunes. O debate parte da Carta de Porto Alegre — documento de encerramento do congresso, voltado a consolidar diretrizes e proposições para o fortalecimento da Engenharia Civil diante de desafios atuais e futuros.
No episódio, os convidados discutem o tema do possível “apagão” de engenheiros e o que está por trás desse diagnóstico, além de abordarem pejotização e contratações irregulares, a inspeção predial como ponto central para a segurança das edificações, a articulação política em torno do PL 1024/2020 e seus impactos para a profissão. Também defendem a Engenharia como Carreira de Estado, associando essa perspectiva à continuidade de projetos e à segurança das obras públicas, independentemente de trocas de governo.
Ao tratar do possível “apagão” de profissionais, João Vivian coloca o tema como uma incógnita que precisa ser debatida, mas propõe olhar além dos números mais imediatos. Para ele, parte do diagnóstico passa por entender por que tantos engenheiros acabam fora da área e aponta a valorização e a remuneração como fatores decisivos. “É a falta de valorização dessa profissão tão importante pro país e também a questão da remuneração desses profissionais.” Na avaliação do vice-presidente, se houver vagas com remuneração compatível, parte dos profissionais que migrou para outros setores tende a retornar para a área e ajudar a recompor a força de trabalho em momentos de maior demanda.
Na sequência, Vivian reforça que existem fatores estruturais que podem agravar um cenário de escassez no médio e longo prazo, especialmente pelo que vem acontecendo na formação. Ele menciona queda no ingresso e evasão elevada nos cursos: “Há menos pessoas ingressando na graduação e a evasão está enorme”, diz, acrescentando que a evasão é na faixa de 50%. Ou seja: por um lado, a desvalorização afasta profissionais já formados e, por outro, a evasão reduz o fluxo de novos engenheiros, aumentando os desafios para atender investimentos e obras com segurança e qualidade.
O SENGE-RS acompanha e participa do debate público sobre temas que atravessam a Engenharia e suas condições de trabalho, reforçando a importância de espaços qualificados de discussão, como o CBENC, e de iniciativas de comunicação que ampliem o alcance desses assuntos junto à categoria.