23/03/2017

EUGÊNIO ARAGÃO FALA SOBRE O DESMONTE DA ENGENHARIA EM PALESTRA REALIZADA COM APOIO DO SENGE. ASSISTA.


Aragão também esteve reunido com os diretores do SENGE na sede da entidade, oportunidade em que atendeu veículos de imprensa.

Organizado pelo Instituto de Pesquisas Hidráulicas da UFRGS, o evento reuniu profissionais, professores e estudantes no Auditório Nascente da Escola de Engenharia da UFRGS, e foi transmitido ao vivo através do portal do Sindicato dos Engenheiros, entidade apoiadora da iniciativa em conjunto com a Unipampa e a Escola de Engenharia.

Aragão iniciou a palestra falando da sua trajetória profissional, desde a vida acadêmica e a participação no movimento estudantil, até o seu ingresso no Ministério Público Federal em 1987 e, posteriormente, na Subprocuradoria Geral da República em 2004. Sobre a carreira dos juízes e procuradores, Aragão teceu duras críticas às ciências jurídicas e à independência das decisões dos magistrados.

“Nós juristas gostamos de dizer que praticamos a ciência do Direito. Falamos em lógica jurídica para estruturar o raciocínio, mas isso não esconde a realidade de que uma decisão sempre será uma ação política. Um juiz exerce o seu poder dentro de um espectro entre a tese do autor e a tese do réu. Em qualquer nível desse espectro, a decisão será legítima, mas sempre será política e ideológica porque é influenciada por convicções internas. O modo que eu vejo o mundo não é igual ao seu modo de vê-lo. Todo o caso tem inúmeras possibilidades de decisão e há muita hipocrisia atrás dessa história do Direto como ciência”, afirmou.

Seguindo o raciocínio, Aragão apresentou sua análise sobre as investigações da Lava Jato, questionando a atuação dos juristas envolvidos e a exposição do caso na mídia. “Acabar com todo um setor produtivo nacional, no fundo, é uma questão de alavancagem corporativa, é jogo de poder. Tudo poderia ter sido feito de forma profissional, sem expor pessoas e retirar delas o princípio constitucional da presunção da inocência. Não estou dizendo que temos que passar a mão na cabeça de todos, e sim que devemos separar os mal-intencionados da estrutura que está sendo abalada”, explicou.

“Uma empresa como a Odebrecht, por exemplo, apresenta um patrimônio social, que é muito maior do que um conjunto de ações. Esse patrimônio é representado por empregos, pagamento de impostos, atração de investimentos para a cadeia produtiva e para a infraestrutura das localidades onde a empresa se instala, entre outras inúmeras questões. Mas o seu principal ativo é o know how, que é insubstituível. Destruir um patrimônio social não pune o empresário, pune a sociedade, um setor econômico inteiro e todo o processo de crescimento econômico nacional. Podemos ficar travados uma década em infraestrutura por causa disso. E se quisermos voltar a crescer, precisamos de muita infraestrutura e também do trabalho das empresas nacionais”, seguiu Aragão, criticando os rumos da Lava Jato que resultaram em um verdadeiro desmonte da Engenharia Nacional e um ataque ao setor da construção civil, o que refletiu diretamente na economia do país.

O palestrante ainda comparou o caso com as recentes acusações feitas à indústria de carnes. Não bastou destruir o setor da Engenharia, agora temos o problema da carne. É dificílimo conseguir espaço no mercado internacional. A duras penas temos 2% de participação mundial.  Enfrentamos duplo controle sanitário, o nacional e o internacional, por isso dizer que a carne saiu podre do país é um escândalo mundial, uma enorme irresponsabilidade. O mercado de alimentos se submete às mesmas regras da Organização Mundial de Comércio. O que está sendo feito é um insulto ao grande número de técnicos sérios, que fazem o seu trabalho de forma comprometida, em detrimento de pessoas mal-intencionadas”, disse.

Na sequência, foi realizado um debate com a participação do presidente do SENGE, Alexandre Wollmann, do diretor do IPH/UFRGS e do Sindicato, Carlos André Bulhões Mendes, e do diretor de Assuntos Estratégicos, Relações Institucionais e Internacionais da Unipampa, Hélvio Rech.

Bulhões Mendes, enalteceu a iniciativa como um importante fórum de discussão no âmbito acadêmico com a participação de profissionais e do SENGE. “No final do ano passado enfrentamos a destruição do patrimônio gaúcho com a extinção de estruturas públicas fundamentais à pesquisa e a engenharia. E isso se vem se repetindo ao longo dos anos com o fechamento de departamentos e fundações que deixam de oferecer o serviço à sociedade, e esse serviço não é absorvido por outros órgãos, ele apenas deixa de existir. Além disso o desmonte da Engenharia pública se agrava a cada ano na aprovação das leis orçamentárias. Quanto vale a atividade de Engenharia?”, questionou o diretor.

O presidente Alexandre Wollmann também manifestou sua preocupação com os rumos da Engenharia nacional e estadual. “O SENGE, além da sua função sindical, tem o compromisso de discutir a Engenharia brasileira, e nos preocupa muito que o nosso setor tenha vivido de soluços a longo da história devido à ingerência das administrações públicas. É como uma curva senoidal, onde vivemos um ápice na época do Plano Nacional de Saneamento (PLANASA), seguido de uma depressão e de outro pico, representado pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC)”, explicou.

O dirigente do Sindicato também criticou a prevalência de interesses sobre questões técnicas na condução dos governos. “O que nos preocupa é a nova depressão que estamos vivendo agora, fortalecida pela soberba de poderes políticos sobre questões técnicas que deveriam ser tratadas como problemas de Estado, e não de governo. Para destruir tudo, é rápido. Para reconstruir e sustentar, levam-se décadas. Hoje no RS, além do desmonte, ainda temos entraves econômicos que poderiam ser resolvidos pela Engenharia, mas o governo optou por extinguir órgãos e demitir técnicos”, criticou Wollmann.

O professor Hélvio Rech, diretor da Unipampa, também enalteceu a iniciativa conjunta e a ressaltou a necessária reflexão sobre o momento atravessado pelos profissionais de Engenharia e também pelo país. “É importante nos reunirmos para discutir e pensar nos rumos da nossa atividade. Um momento como esse pode ser o início de um processo de saída desse buraco onde nos metemos”, afirmou o diretor.

 

Clique aqui e assista a íntegra da palestra.

 

 

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