22/02/2012

Mais um ano de desafios para os projetos do PAC

O governo pretende dar um gás no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) depois do desempenho decepcionante dos últimos anos. Além de querer elevar a taxa de investimento acima dos 20% do Produto Interno Bruto (PIB), o governo está pressionado pelo calendário dos eventos esportivos globais que prometeu sediar, a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016, para os quais precisa preparar a infraestrutura.

Em 2011, o governo executou 79% das despesas previstas pelo PAC, ou R$ 28 bilhões dos R$ 35,4 bilhões empenhados. Embora os investimentos tenham sido 21% superiores aos de 2010, o ritmo está deixando a desejar diante do compromisso do PAC de investir em sua segunda fase quase R$ 1 trilhão de 2011 a 2014 em obras de infraestrutura nas áreas de transporte, geração de energia, saneamento, mobilidade urbana, construção de unidades básicas de saúde e moradias.

O ritmo do PAC diminuiu em boa parte por causa dos escândalos que interromperam os trabalhos e tumultuaram a rotina de órgãos do governo como o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (Dnit) e a Valec, vinculados ao Ministério do Transporte, que perdeu quase toda a cúpula em 2011 em escândalos de corrupção. Nada menos que oito ministros caíram em apenas nove meses, de junho a fevereiro.

O andamento das obras caiu muito. Houve falha na gestão e até greves atrapalharam o cronograma. O movimento sindical aproveitou o interesse do governo em avançar com as obras do PAC. Foram afetadas por paralisações as obras das usinas de Jirau e Santo Antônio (RO), da hidrelétrica de São Domingos (MS), dos portos de Pecém (CE) e Suape (PE), além de parte do programa Minha Casa Minha Vida no Maranhão. No total, 80 mil funcionários ficaram parados. Foi necessária a interferência do secretário-geral da presidência, Gilberto Carvalho.

Agora o governo quer recuperar o atraso. Dos R$ 955 bilhões a serem investidos no PAC 2, metade será canalizada para a área de energia e 30% para o programa Minha Casa Minha Vida; R$ 708 bilhões ou 74% serão aplicados em obras a serem concluídas nos quatro anos e o restante em projetos a serem terminados depois de 2014. Entre elas estão a hidrelétrica de Belo Monte (PA), o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) e a Ferrovia de Integração do Centro-Oeste.

Só a Copa do Mundo vai exigir R$ 30 bilhões em investimentos, voltados principalmente para transportes, com R$ 11,6 bilhões destinados à mobilidade urbana e R$ 5,5 bilhões para portos e aeroportos.

Neste ano, a meta do Ministério do Planejamento é desembolsar R$ 33,5 bilhões no PAC, embora o orçamento divulgado pela Fazenda preveja R$ 42,6 bilhões.

O governo anunciou na semana passada corte de R$ 55 bilhões no orçamento da União para este ano, para garantir o cumprimento do superávit primário de 3,1% do Produto Interno Bruto (PIB) e a continuidade da redução da taxa Selic, mas preservou os investimentos do PAC.

Foi na área de energia que o investimento mais aumentou, de R$ 207 milhões em 2011 para R$ 422 milhões. Cresceram também os investimentos sociais e urbanos – item que engloba de saneamento, mobilidade urbana, irrigação a postos de saúde -, de R$ 6,4 bilhões para R$ 9,5 bilhões.

O maior volume de recursos será direcionado para a logística (rodovias, ferrovias, hidrovias, portos e aeroportos): R$ 16,99 bilhões, 16,8% a mais do que os R$ 14,6 bilhões empenhados em 2011. Os recursos destinados ao programa Minha Casa Minha Vida ficaram estáveis em R$ 11,1 bilhões.

Também foram poupados dos cortes do orçamento os ministérios ligados a investimentos em infraestrutura, como Cidades e Transportes, refletindo a preocupação com as obras para a Copa do Mundo e Jogos Olímpicos.

O Ministério das Cidades, responsável pela execução do programa Minha Casa Minha Vida, sofreu corte de R$ 3,3 bilhões neste orçamento em comparação com os R$ 8,6 bilhões de 2011, uma redução de 16% em relação ao aprovado pelo Congresso Nacional.

O governo se esforça, assim, para evitar a repetição do que houve em 2011, quando os cortes do orçamento atingiram principalmente os investimentos. Mas é preciso ver se a máquina do governo foi limpa e azeitada para encarar a gestão dos projetos.

Fonte: Valor Econômico (Editorial)

Leia também

14/06/2024

Porto Alegre anuncia nova data para licitação de obras no CEIC após cancelamento de suspensão

14/06/2024

Webinar sobre crise climática e eventos extremos no Rio Grande do Sul

12/06/2024

SENGE SOLIDÁRIO | Campanha Solidariedade Técnica recebe demandas da comunidade

Descontos DELL Technologies

Aproveite os descontos e promoções exclusivas para sócios do SENGE na compra de equipamentos, periféricos e serviços da DELL Technologies.

Livro SENGE 80 anos

Uma entidade forte, protagonista de uma jornada de inúmeras lutas e conquistas. Faça o download do livro e conheça essa história!

Tenho interesse em cursos

Quer ter acesso a cursos pensados para profissionais da Engenharia com super descontos? Preencha seus dados a seguir para que possa entrar em contato com você:

Realizar minha inscrição

Para realizar a sua inscrição, ao preencher o formulário a seguir, escolha o seu perfil:

Profissionais: R$ 0,00
Sócio SENGE: R$ 0,00
Estudantes: R$ 0,00
Sócio Estudantes: R$ 0,00
CURRÍCULO

Assine o Engenheiro Online

Informe o seu e-mail para receber atualizações sobre nossos cursos e eventos:

Email Marketing by E-goi

Ao fornecer seu dados você concorda com a nossa política de privacidade e a maneira como eles serão tratados. Para consulta clique aqui

Tenho interesse em me associar

Se você tem interesse de se associar ao SENGE ou gostaria de mais informações sobre os benefícios da associação, preencha seus dados a seguir para que possa entrar em contato com você:

Ao fornecer seu dados você concorda com a nossa política de privacidade e a maneira como eles serão tratados. Para consulta clique aqui

Entre em contato com o SENGE RS

Para completar sua solicitação, confira seus dados nos campos abaixo:

× Faça contato