07/11/2023

O futuro da CEITEC depende de plano consistente, defende especialistas | Entrevista com Adão Villaverde

Em entrevista à coluna Mercado Digital, do Jornal do Comércio desta terça-feira (07), o engenheiro e professor Adão Villaverde analisa os possíveis rumos da CEITEC dentro do contexto mundial, com a reversão do processo de dissolução autorizada pelo governo federal. Esta é uma pauta que vem sendo acompanhada com grande expectativa pelo Sindicato dos Engenheiros, diante do atual contexto de transformações tecnológicas em praticamente todos os setores econômicos, assim como a necessidade de uma nova política de semicondutores e de reindustrialização do Brasil.

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Patricia Knebel, Mercado Digital/ JC

Quais serão os próximos passos da Ceitec? Com o processo de liquidação da empresa chegando ao fim – na segunda-feira, o governo federal autorizou a reversão do processo de dissolução societária do Centro Nacional de Tecnologia Eletrônica Avançada S.A – o mercado já começa a pensar nos próximos passos.

“Era uma decisão que precisava ser tomada, necessária e fundamental”, afirma Adão Villaverde, engenheiro e professor e um dos principais articuladores da vinda da empresa para o Rio Grande do Sul. “A ministra de Ciência e Tecnologia, Luciana Santos, disse que a previsão de orçamento para 2025 será de R$ 110 milhões para a Ceitec. Claro que não é o ideal, mas dá para retomar a produção de chips de excelente aceitação do mercado. E na sequência buscar recursos para, de fato, fazer um upgrade da planta”, acrescenta.

O que precisa ser realizado agora é um estudo rigoroso de mercado para que os investimentos sejam feitos com base em evidências e critérios. “O achismo foi o que levou ao não cumprimento da curva de aprendizado necessária para a implantação de uma fábrica de semicondutores, que leva até 13 anos. Quando batemos nos cinco, seis anos da Ceitec, veio à tentativa de liquidação”, recorda.

Villaverde é um estudioso desse assunto. Ele era secretário da Ciência e Tecnologia quando, em 1999, a Motorola bateu martelo e fez a doação dos equipamentos que deram o início à fábrica situada em Porto Alegre. Além de ter vivido o dia a dia da implantação da Ceitec e ter acompanhado essa história até hoje, acaba de defender a sua tese de doutorado “Os semicondutores, o caminho para superação da dependência tecnológica no setor e o papel da Ceitec”.

Ao analisar os possíveis rumos da empresa, dentro do contexto mundial, ele explica que existem elementos favoráveis para o Brasil fabricar chips, e não só encapsular. Um deles é a conjuntura favorável, já que existe um esforço global, liderado por Estados Unidos e China, de tirar a concentração da produção de chips do Pacífico Leste, que hoje detém 80% deste mercado.

Além disso, a Ceitec fará um movimento de retomada, e não de começar do zero. Dados da McKinsey&Co revelam que, se fossemos fazer uma fabrica do zero, de 90 a 100 namometros, o investimento necessário seria de US$ 2 bilhões. Já para fazer o upgrade na Ceitec, dependendo da rota tecnológica escolhida, isso seria possível com US$ 200 milhões ou até menos.
Ai entra outro fator importante, que é, a partir de um plano de negócios, ter muito claro qual a posição que a empresa pretende adotar.

“Existe mercado para os chamados chips maduros. Não vamos disputar com Samsung ou Intel, mas podemos escolher o nodo tecnológico entre 300 e 100 nanometro, por exemplo, e disputar 14% do mercado mundial. Se investimos mais na tecnologia e conseguirmos descer até 200 a 80 namometros, disputaríamos mercado mundial 47%”, analisa Villaverde, embasado com números do Gartner.

Claro que, para isso, seria necessário investir. “Já temos os requisitos chave para manufatura, como a fábrica, água ultrapura, filtros de ar e recursos humanos. Mas, teremos que fazer um upgrade em todos estes itens na Ceitec”, afirma.

Outro caminho importante é fazer com que projetos nacionais importantes apoiem essa missão, como o Programa de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico da Indústria de Semicondutores e Displays (Padis), que hoje é voltado para encapsulamento e que precisa apoiar fabricação, a Lei do Bem e até mesmo incentivar as compras governamentais dos produtos da Ceitec.

“Os semicondutores tem que ser uma missão de País. Até porque, sem domínio dos chips, não tem transformação digital séria. As economias que não incursionarem para isso vão fenecer”, conclui.

Acceitec prevê prazo de 24 meses para empresa retomar.

A Associação dos Colaboradores do Centro Nacional de Tecnologia Eletrônica Avançada (Acceitec) acredita que, realmente, será preciso encontrar uma nova rota para a empresa, e isso vai depender muito dos recursos que estarão disponíveis. A expectativa é que, até o final de 2025, a empresa poderia estar operando à pleno.

Os próximos passos devem incluir a contratação de pessoas, renovação de alguns equipamentos e, o mais emblemático, uma guinada no modelo de negócios.

“Perdermos recursos humanos importantes da área de projetos, o que é algo muito sensível para a rota que a Ceitec tinha antes quando atuava com dispositivos de radiofrequência e de memória, que exigem um design complexo. A empresa tinha um time de digital, analógico e de aplicação e produtos, tudo dentroda Design House”, relembra o presidente da entidade, Silvio Luís dos Reis Santos Júnior.

Segundo ele, essas pessoas estão hoje bem posicionadas no mercado, mas acredita que com a reversão do processo de liquidação, a Ceitec se torne novamente atrativa para eles.

Olhando para o cenário e para a infraestrutura existente hoje, ele vê um caminho que é o dos dispositivos voltados para mobilidade urbana e energia limpa, áreas de interesse do governo federal.
“A Ceitec ser fornecedora de dispositivos de conversão de energia de alta potência é um dos passos que enxergamos para a Ceitec em um futuro breve”, diz, destacando que atenderia o mercado de eletrificação de automóveis.

Ainda assim, seria necessário contratar e capacitar pessoas, além de comprar novos equipamentos. Hoje a empresa tem três engenheiros de processo, um de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) e os demais todos da área de suporta administrativo, compras e técnicos de manutenção para manter parque funcionando.

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