26/11/2010

O plano para destravar a fábrica de chip gaúcha

Dois anos depois de ser transformada em empresa estatal, a Ceitec SA tenta agora se desvencilhar da burocracia para concretizar a primeira fábrica de chips do país. Por meio de auditoria a ser iniciada ainda neste ano, a unidade pretende passar a limpo a trajetória de uma década e se tornar competitiva no mercado de semicondutores.

A contratação de uma consultoria para fazer “varredura” na empresa foi encaminhada pelo presidente Cylon Gonçalves da Silva. Ele assumiu a gestão em agosto deste ano, substituindo o alemão Eduard Weichselbaumer, que deixou a presidência depois de contestada gestão. O “reprojeto da cabeça aos pés”, segundo Cylon, deve demorar um ano.

– Lamento, mas a Ceitec não é uma empresa, é, sim, uma repartição pública – disse Cylon, durante o 3º Congresso Internacional de Inovação, encerrado ontem na Fiergs.

O processo de auditoria irá concluir revisão de estatutos, regimes internos, plano de cargos e salários, além do regulamento de compras e contratos e normas administrativas. O levantamento será feito por uma consultoria, a ser licitada pela estatal até o final do ano.

– A empresa ficou sem foco, perdeu o rumo. Temos de mudar para torná-la mais ágil. Da forma como está, é muito difícil de operar – admite o presidente da Ceitec, acrescentando que os fornecedores mundiais rejeitam as condições legais de uma estatal brasileira.

Presidente anterior também queixava-se da burocracia

Impedimentos legais na aquisição de insumos foram um dos motivos alegados pelo antigo presidente ao deixar o cargo, em julho. Agora, para desenrolar o processo, será buscada a criação de um marco regulatório para a empresa, o qual pode ser instituído por meio de decreto presidencial ou pelo Congresso. Porém, antes disso, o coordenador-geral de microeletrônica da Secretaria de Política de Informática do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), Henrique de Oliveira Miguel, acredita que a empresa deve “fazer o dever de casa”:

– É preciso que se construa uma proposta e se identifiquem os pontos para as mudanças. O projeto recebeu mais de R$ 400 milhões nos últimos anos.

O representante do MCT admite que uma alternativa seria manter o controle estatal, mas facilitando aspectos de compras e convênios.

A empresa

A Ceitec, na Lomba do Pinheiro, zona leste da Capital, é a primeira empresa especializada no desenvolvimento e produção de circuitos integrados de aplicação específica da América Latina. Criada em 2000, em parceria entre governo do Estado, prefeitura de Porto Alegre e Motorola.

Os primeiros chips, projetados no RS e produzidos no Exterior, equiparam controladores eletrônicos da Altus.

Transformada em empresa pública federal em 7 de novembro de 2008.

A empresa teve episódio polêmico com a saída do antigo presidente Eduard Weichselbaumer, em julho. Ele teria pedido demissão alegando motivos pessoais, mas a renúncia teria ocorrido por razões técnicas. Ele não teria se adaptado à natureza pública da empresa.

As idas e vindas do projeto

2000 – Assinada parceria entre Motorola, Estado e prefeitura de Porto Alegre, universidades e entidades para a construção do Ceitec. O objetivo era dominar a técnica de produção de chip e formar mão de obra – o Ceitec não faria circuitos integrados em escala comercial. A Motorola doou equipamentos para a sala limpa, onde se faz o chip, e um centro de design desenharia circuitos integrados para equipamentos eletrônicos.

2001 – A Secretaria de Ciência e Tecnologia do Estado assina convênio para construir o Ceitec, orçado em R$ 100 milhões. O Planalto promete o repasse de R$ 47 milhões. Área da Lomba do Pinheiro, na Capital, é escolhida para abrigar o Ceitec. A nova previsão para funcionamento da linha de produção: janeiro de 2004.

2003 – O Ceitec é transformado em associação civil e muda o nome para Centro de Excelência em Tecnologia Eletrônica Avançada. A falta de recursos para um projeto cujo orçamento já chega a R$ 126 milhões provoca novo atraso: 15 toneladas de equipamentos doados pela Motorola esperam em depósito para ser instaladas. O início das operações é estimado para 2005.

2004 – Liberados R$ 5,4 milhões para abrir o edital de construção do primeiro prédio, que abriga o centro de design e a administração. A licitação é feita em dezembro, mas a Justiça Federal suspende a concorrência por suspeita de irregularidades, parando o projeto.

2006 – Obras recomeçam à medida que mais recursos federais são liberados. O centro de design funciona a pleno, com 50 funcionários em escritórios na PUCRS e UFRGS.

2007 – O primeiro chip projetado pelo Ceitec é entregue – os circuitos foram criados no centro de design do Ceitec e fabricados no Exterior. Com a construção civil quase pronta, a previsão no início do ano é ter um chip fabricado na Lomba do Pinheiro até dezembro de 2007. Os recursos param de chegar. A União decide estatizar o Ceitec.

2008 – Mais um chip criado pelo Ceitec é apresentado: o “chip do boi” usa tecnologia para guardar informações de bovinos no campo. O orçamento estimado do centro chega a R$ 260 milhões.

2009 – Com novo nome, a Ceitec SA tem a primeira inauguração: o prédio do centro de design.

2010 – Na inauguração, a sala limpa está montada. O primeiro lote comercial estava previsto para o final do ano. A Ceitec projetava chegar a 2012 operando com 80% da capacidade produtiva.

Projeções atuais

2011 – Colocar os equipamentos em funcionamento, com uma linha de produção

2012 – Transferência dos processos de tecnologia

2013 – Alcance da capacidade plena de produção de chips da empresa

2014 – Conquista dos certificados ISSO

2015 – Previsão de faturamento de US$ 5 milhões

Fonte: Zero Hora 19/11/2010

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