01/02/2013

Quais as perspectivas para a manutenção e geração de empregos na indústria em 2013?

Leia a seguir uma sequência de matérias e artigos que propõem uma análise do cenário brasileiro em 2013.

– Brasil tem pior taxa de geração de empregos desde 2009, diz governo (UOL – 28/01/13)
– Governo teme que crescimento fraco contamine emprego (Estado de São Paulo – 20/01/13)
– O risco de a previsão da OIT estar certa (Editorial Brasil Econômico – 23/01/13)
– O que faremos em 2013? (Artigo de Antônio Delfim Neto para o Valor Econômico – 22/01/13)


BRASIL TEM PIOR TAXA DE GERAÇÃO DE EMPREGOS DESDE 2009, DIZ GOVERNO
UOL – 28/01/13

A economia brasileira criou 1,301 milhão de vagas formais de trabalho no ano passado. O resultado é 33% inferior a 2011, quando foram gerados 1,944 milhão de empregos com carteira assinada, na série com ajuste sazonal. O resultado de 2012 é o menor desde 2009, quando 1,296 milhão de postos de trabalho foram criados.

Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho foram divulgados nesta sexta-feira. O ministério informou que o dado ajustado de 2012 compreende o período de janeiro a novembro mais o dado de dezembro ainda sem ajuste.

Os dados ajustados contabilizam as informações fornecidas pelas empresas fora do prazo estabelecido pelo governo.

O saldo de 2012 ficou abaixo da projeção do Ministério, que esperava 1,4 milhão de novos postos de trabalho no ano passado, medidos pelo Caged. Também ficou abaixo da projeção do Valor Data, de 961 mil empregos criados, com intervalo entre 915 mil e um milhão de postos de trabalho.

Em dezembro as demissões superaram as contratações em 496,9 mil vagas. No mesmo mês de 2011 o Brasil registrou fechamento menor de postos de trabalho, com demissão líquida de 408,1 mil empregos.

Sem as declarações entregues fora do prazo, a criação de vagas em 2012 somou 868,2 mil, ante 1,566 milhão de novos postos de trabalho no ano anterior.

Em 2013

O governo federal trabalha com um cenário de criação de 2 milhões de empregos no Brasil em 2013, como resultado de medidas de estímulo adotadas recentemente e de outras que virão ao longo deste ano, disse a jornalistas o diretor do departamento de emprego do Ministério do Trabalho, Rodolfo Torelly.

GOVERNO TEME QUE CRESCIMENTO FRACO CONTAMINE EMPREGO
Estado de São Paulo – 20/01/13

Conselheiros políticos da presidente Dilma Rousseff acompanham com apreensão os primeiros indicadores de desempenho da economia neste início de ano.

O temor é o de que a atividade fraca de 2012 continue e contamine um dos pilares da alta popularidade da presidente: o emprego.

Se o Produto Interno Bruto (PIB) não reagir, o mercado de trabalho pode ser atingido, segundo avaliam as confederações da indústria, do comércio e dos serviços.

"Se a economia seguir um padrão fraco como o de 2012, a desaceleração alcança o mercado de serviços e aí podemos ter uma contaminação do mercado de trabalho", avaliou o gerente executivo do Núcleo de Política Econômica da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Flávio Castelo Branco.

De janeiro a novembro de 2012, a indústria registrou queda de 0,2% no emprego na comparação com 2011. O dado negativo, porém, foi compensado pelo desempenho do comércio e dos serviços.

"Mas já em novembro e em dezembro, tivemos um crescimento menor do emprego, por isso o governo tem de dar um impulso", comentou o presidente da Confederação Nacional dos Serviços (CNS), Luigi Nese. "Acho que, no primeiro trimestre, a economia não se recupera."

O mesmo alerta foi feito pelo economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Carlos Thadeu de Freitas, ex-diretor do Banco Central (BC). "Se tivermos fraqueza na indústria e os investimentos não acontecerem, o emprego pode sofrer", observou.

Justamente para não repetir o "pibinho" de 2012 – estimado em cerca de 1% de expansão -, Dilma tem dedicado sua agenda a contatos com empresários.

A meta informal da equipe econômica é obter um aumento de 8% nos investimentos este ano, ante uma queda da ordem de 2% no ano passado. O governo tem grandes esperanças nas concessões de rodovias, ferrovias, portos e aeroportos à iniciativa privada.

Também há cobranças pelo lado do investimento público. O plano é plantar este ano para colher em 2014, ano eleitoral. Embora o risco de uma nova frustração na economia esteja no radar, esse não é o quadro considerado mais provável pelos economistas do setor privado.

O RISCO DE A PREVISÃO DA OIT ESTAR CERTA
Editorial Brasil Econômico (por Ricardo Galuppo) – 23/01/2013

Um estudo da Organização Internacional do Trabalho (OIT) aponta o risco de queda do nível de emprego no Brasil. Pelas estimativas, cerca de 500 mil trabalhadores deverão ser demitidos nos próximos meses, o que elevaria o número de desempregados para 7 milhões.
Pode ser que nada disso aconteça. Mas, se as previsões da OIT estiverem corretas, será o pior dos cenários.

Nos últimos anos, o crescimento pífio do PIB brasileiro se deveu única e exclusivamente aos níveis elevados de consumo – e a condição essencial para o consumo em níveis estatisticamente relevantes é a renda conferida pelos salários e, mais do que isso, a expectativa de manutenção do emprego pelos meses de duração do carnê.

O próprio ministro Guido Mantega argumenta (com razão) que, a despeito de muitos de seus aliados considerarem os programas de distribuição de renda o principal motor da inclusão social no país, o que garantiu o ingresso de milhões de brasileiros na chamada "nova classe média" foi a expansão da oferta de empregos.

Um retrocesso nesse indicador seria como cravar uma estaca no coração daquele que é o maior feito da administração petista. E o governo, é claro, fará de tudo para impedir que isso aconteça.

O problema é que, tudo indica, existe um descasamento entre a intenção do governo em manter os empregos e a prática que se reflete nas condições de operação da indústria (que foi, é e continuará sendo ainda por muito tempo o principal gerador de empregos de qualidade).

Ontem, o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, no interior de São Paulo, recorreu ao irritante recurso de fechar a Via Dutra com uma manifestação que tenta proibir a montadora GM de demitir 1.500 trabalhadores de uma linha de montagem que está sendo desativada.

O sindicato afirma que, como a GM recebeu isenção fiscal nos últimos anos, deveria ser proibida de demitir. É lógico que esse tipo de argumento anacrônico só pode ser levado a sério por quem ainda vê a indústria como um inimigo disposto a esfolar o trabalhador até a última gota de sangue.

O problema é que os 1.500 postos que a GM precisa eliminar porque a linha de montagem perdeu competitividade são do tipo que farão falta ao Brasil – e, mais ainda, às famílias atingidas pelo corte.

O país precisa, sim, de empregos de qualidade. Mas eles só serão oferecidos em quantidade suficiente no dia em que o governo (não especificamente o da presidente Dilma Rousseff, mas qualquer governo que se instale em Brasília) entender que é impossível ter uma indústria competitiva com as condições fiscais e o clima de confronto que existe no Brasil.

Se nada for feito enquanto é tempo, não haverá Via Dutra em quantidade suficiente para ser fechada pelas manifestações de protesto que se verão daqui por diante.

O QUE FAREMOS EM 2013?
Artigo de Antonio Delfim Netto (Valor Economico) – 22/01/13

É difícil ignorar a estagnação do PIB per capita em 2012. É fácil transformá-la na "síntese" do fracasso da política social e econômica do governo Dilma Rousseff, o que, obviamente, é um equívoco.

O ano de 2012 distinguiu-se pelo enfrentamento de velhos e antigos obstáculos ao crescimento e um importante aumento dos gastos com educação e saúde, que são, na realidade, investimento para aumentar o futuro padrão de vida e a produtividade dos cidadãos.
O "ativismo" que se critica está na direção correta. O que tem faltado é uma relação "arrogância-competência" mais harmônica dos agentes públicos que fazem a interface com o setor privado de infraestrutura. Isso não tem nada a ver com a qualidade da administração da política econômica!

Estamos no nascimento de 2013. O que será não está escrito nas estrelas e muito menos nos modelos de nossos catastrofistas. Será o que soubermos e pudermos fazer dele: o governo e o setor privado, cada um nos limites das competências fixadas pela Constituição.

O "ativismo" que se critica está na direção correta

Nenhum dos dois pode fazê-lo sozinho. Ao primeiro cabe formular os objetivos, mas resignar-se a sua baixa capacidade de executá-los fisicamente, e aceitar que seu bom desempenho depende de um tratamento amigável com relação ao segundo, transferindo-lhe, com leilões inteligentes, os investimentos de infraestrutura e controlando-o através de agências reguladoras, que estimulem a competição, sejam estáveis e blindadas à política partidária.

A passagem ao setor privado de monopólios "naturais" é uma questão política e técnica altamente complexa e contaminada pelo fato que eles, quando não controlados, são ainda mais cruéis nas mãos do setor privado. Mas é preciso lembrar que, quando os sindicatos desses setores combatem a privatização, não se trata de questão técnica e muito menos "ideológica": trata-se do "interesse" dos que sabem que vão perder o conforto dos benefícios que recebem à custa dos consumidores, que não têm alternativa.

Dentro do quadro institucional delineado por tais restrições, os estímulos ao setor privado devem ser universais e promovidos pelos preços relativos construídos no mercado. Os subsídios (que devem ser claramente consignados no Orçamento) devem ser reservados àqueles projetos que, sem nenhuma dúvida, possuem taxa de retorno social maior do que a do mercado, como é, seguramente, o caso de alguns projetos de infraestrutura.

Não há justificativa social ou econômica para subsidiar "ganhadores escolhidos" para criar gigantescos oligopsônios e oligopólios privados em detrimento, mais dia menos dia, dos interesses dos consumidores como já estamos vendo. E, muito menos, proteger fortemente setores de insumos básicos, sem levar em conta os seus efeitos sobre as tarifas efetivas dos bens que os consomem.

Todas essas preocupações parecem estar na atual política governamental ativa. Esta busca, ainda, aumentar a igualdade de oportunidades para todos os cidadãos e diminuir os efeitos cíclicos sobre o nível de emprego.

É uma ilusão pensar que, deixada a si mesma, a organização natural dos mercados levará a um equilíbrio eficiente. Ilusão maior ainda é imaginar que exista uma receita universal produzida pela "ciência econômica". Na organização do mundo, Deus foi duro com os economistas: deu-lhes como objeto de estudo o homem, um átomo que pensa, que imita, aprende, inova e transmite sua experiência. Dessa forma, em cada momento ele é mais rico e diferente do que no anterior, pela acumulação da informação e imersão social.

As implicações desse fato para a economia são fundamentais: nunca há equilíbrio. Nunca o futuro será igual ao passado. Cada observação de uma série de tempo não é uma amostra extraída ao acaso de uma "urna" que contém os seus estados possíveis. Não há, como no mundo físico, a estabilidade do universo observável, onde, para todos os fins práticos, o presente reproduz o passado e este antecipa o futuro, um processo ao qual se dá o nome de "ergódico".

Como o agente econômico incorpora as informações do passado, e está sempre aprendendo no presente, o futuro não poderá ser a repetição de nenhum dos dois. Ele vive um processo "não ergódico".

Essas observações pedestres tiram toda a esperança de que possa existir uma teoria econômica universal, independente da história e da geografia, que permita colocar a política social e econômica no "piloto automático", como, por exemplo, o famoso "tripé" a que se apegam com vigor quase religioso alguns de nossos mais notáveis sacerdotes.

Por outro lado, os enormes conhecimentos acumulados nos últimos 250 anos, e a experiência histórica vivida, não autorizam a pensar que o voluntarismo que os ignora possa manter um voo longo e bem-sucedido.

Com a estagnação do PIB per capita em 2012, é mais fácil distinguir o seu nível da sua taxa de crescimento. O nível é definido pelo que está aí: 1) a confiança entre o setor privado e o governo, as instituições, o ambiente macro e microeconômico e social; 2) o estoque de mão de obra empregado e a sua utilização; e 3) o estoque de capital (infraestrutura, máquinas, equipamentos etc.) e a sua utilização.

A taxa de crescimento depende da modificação para melhor dessas três condicionantes, todas sensíveis a manobras inteligentes do governo em 2013. É isso que o definirá.

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