04/01/2010

Liderança Verde

Por André Julião
Revista Isto É 

Não causou surpresa o papel de destaque da delegação brasileira e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a Conferência sobre Mudanças Climáticas da ONU (COP-15), realizada no início de dezembro em Copenhague, na Dinamarca. Há tempos o mundo sabe que o Brasil tem status de protagonista em qualquer discussão sobre o futuro do planeta. O que há de novo, no entanto, é o papel exercido pelos brasileiros. Antes vilões e destruidores contumazes de florestas, agora somos símbolo de esperança. 

O porquê é simples: qualquer estratégia de contenção dos danos causados pelo aquecimento global passa obrigatoriamente pela adesão do Brasil, dono do maior tesouro verde do mundo. Apesar do naufrágio cinematográfico dos líderes mundiais, Lula brilhou graças à sua contundência. 

E, dessa vez, seu carisma ficou em segundo plano. “O Brasil está se convertendo na vanguarda ambiental”, diz o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, em entrevista à ISTOÉ. “Apresentamos metas muito ousadas, uma mudança na posição brasileira.” O ministro conta que as áreas econômica e diplomática foram contrárias às metas levadas a Copenhague no início das discussões, por causa da possibilidade de engessamento da economia e de possíveis desconfortos com aliados tradicionais como Índia, China e África do Sul.
 
“O meio ambiente era minoria dentro no governo. Mas conseguimos convencer o presidente Lula de que poderíamos cumprir essas metas sem comprometer o desenvolvimento. Os países aliados não se oporiam se o Brasil avançasse mais na questão climática, desde que não impuséssemos a eles o mesmo ritmo”, diz Minc. Durante a COP-15, a delegação brasileira apresentou o plano de reduzir as emissões de CO2 entre 36,1 e 38,9%. 

Para isso, seria preciso diminuir em 80% a devastação da Amazônia até 2020 em relação à média do período entre 1996 e 2005. Ou seja, ao final do prazo, a área devastada teria de estar, no máximo, em 3,5 mil quilômetros quadrados. Os números tornaram-se oficiais na segunda-feira 28, quando o presidente sancionou a nova lei que estabelece a Política Nacional de Mudanças Climáticas. 

Já estamos, portanto, agindo localmente, enquanto o resto do mundo permanece inerte. Dono da maior floresta tropical e com uma das maiores áreas protegidas do mundo (quase 10% do território), o Brasil tem papel-chave na luta contra as mudanças climáticas. “O País encabeça a lista dos países campeões em sequestro de carbono e tem, portanto, a oportunidade de liderar esse processo”, diz Russel A. Mittermeier, presidente da ONG Conservação Internacional. 

Um indício importante do caminho a ser seguido para nos tornarmos uma potência ambiental é o trabalho coordenado de diferentes setores do Estado. “O Ministério do Meio Ambiente era meio isolado”, admite o às vezes polêmico Minc. No ano e meio em que está no comando da pasta, o ministro comemora acordos com outros ministérios e com o setor produtivo, dentre os quais destaca o feito com a Abras (Associação Brasileira de Supermercados), da qual fazem parte 73 mil lojas distribuídas por todo o País. “Em 2010 não vai ter mais carne proveniente de área de desmatamento da Amazônia e do Cerrado.

Quem não quiser ficar fora do mercado terá de ter o selo de ecologicamente correto”, diz o ministro. O Fundo Cerrado é outro mecanismo que pode ajudar na proteção da biodiversidade brasileira, que até agora não entrava nas conversas sobre preservação. O Ministério já determinou metas de redução de desmatamento daquela área em 40% para 2020. “Eu tive de explicar ao setor econômico que as águas do nosso país nascem no Cerrado. 

Se destruirmos a mata que protege essas águas, o líquido vai faltar para a agricultura e para a produção de energia hidrelétrica”, diz Minc. “Não estamos falando só de onça e tamanduá, mas de economia, agricultura e energia.” E como garantir que as políticas aplicadas agora sejam continuadas pelos próximos governos? O fato de as leis serem sancionadas com metas pode ser uma garantia de que os mecanismos de proteção sejam institucionalizados. “As metas não são do governo, são do País”, explica Minc. 

A presença de três pré-candidatos à Presidência no encontro em Copenhague – a ministra- hefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, o governador de São Paulo, José Serra, e a senadora Marina Silva –, é apenas mais um sinal de que traçamos um caminho sem volta rumo à conservação e ao desenvolvimento sustentável. “Agora todo mundo é verde desde criancinha”, conclui Minc.

Fonte: Revista Isto É nº 2095 – André Julião

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