19/02/2010

Siderurgia Renovável

Modelo tipicamente brasileiro, a produção do aço a partir do carvão vegetal vem contribuindo para reduzir o aquecimento global 

O Brasil é o único país que está produzindo aço em larga escala utilizando o carvão vegetal como termorredutor. Do ponto de vista ambiental, são incontestáveis as vantagens da utilização dessa energia renovável no processo siderúrgico, em comparação com o uso de recursos de natureza fóssil, como o coque. Sergio Scherer, da empresa de consultoria Minitec e autor de projetos em siderurgia mundo afora, explica que a grande vantagem do carvão vegetal é anular as emissões dos chamados gases de efeito estufa, em particular do dióxido de carbono (CO2), apontados como um dos principais causadores do aquecimento global. “Você não deixa de emitir o gás poluente, assim como ocorre na siderurgia que utiliza o carvão mineral. A diferença é que essa emissão é captada pela floresta de eucaliptos. Como resultado, a emissão de efeito estufa é nula”, afirma. 

Para compreender esse processo, Scherer compara a siderurgia de carvão vegetal com a produção de etanol. “O veículo que usa este combustível não deixa de soltar CO2 pelo cano de descarga, mas a emissão é absorvida pelas plantações de cana-de-açúcar. Da mesma forma, todo CO2 produzido na produção do aço é captado pela floresta em crescimento, que fixa o carbono e libera o oxigênio. Isso ocorre graças à energia solar pela fotossíntese que, por sinal, garante a vida em nosso planeta. Em resumo, o CO2 emitido é reciclado e o efeito estufa é nulo”, reforça Scherer. Trata-se de uma tecnologia totalmente desenvolvida no Brasil e que já começa a despertar interesse de outros países. 

Por aqui, a fabricação vem sendo feita em larga escala – e os resultados impressionam. A produção de ferro-gusa com carvão vegetal significa entre 30% e 34% do total que é fabricado no Brasil e está dividido, na siderurgia, entre as unidades da V&M, Grupo Gerdau (nas plantas de Divinópolis e Barão de Cocaes), Arcelormittal Inox e Arcelormittal de Juiz de Fora, em Minas Gerais. Nos produtores independentes, a produção feita com o carvão vegetal está espalhada por 160 altos-fornos distribuídos pelo Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Maranhão e Pará. “Países com condições climáticas semelhantes começam a pensar seriamente no assunto”, informa Sergio Scherer. 

A cada tonelada de aço produzida pela siderurgia de carvão vegetal, 1,8 tonelada de gás carbônico é retirada da atmosfera graças ao processo de fotossíntese. “É um modelo que apresenta vantagens ecológicas, sendo autossustentado e tipicamente brasileiro”, salienta Flávio Azevedo, presidente do Conselho da V&M do Brasil, integrante do grupo francês Vallourec & Mannesmann Tubes. A companhia foi das pioneiras no país. Desde a década de 70, a empresa utiliza energia renovável para produzir tubos de aço sem costura na Usina Barreiro, localizada em Belo Horizonte. “A questão ambiental sempre foi uma prioridade para a empresa”, afirma Flávio Azevedo, presidente do Conselho da V&M do Brasil. 

O plantio de eucaliptos fica a cargo da V&M Florestal, responsável também pelo transporte do carvão vegetal até a usina, com produção de 270 mil toneladas por ano. No total, são 120 mil hectares de florestas localizadas no norte de Minas Gerais, além de ilhas e faixas com vegetação nativa, que asseguram a preservação da biodiversidade na região do cerrado mineiro. Outro projeto da V&M do Brasil que ajuda a limpar a atmosfera é o da termelétrica que funciona com a utilização de gases liberados do alto-forno da Usina Barreiro. 

Dessa forma, um subproduto do processo de produção siderúrgica se transforma em fonte de energia renovável. A V&M do Brasil passou a ser possuidora de créditos de carbono com esse projeto. A termelétrica reduziu ainda em um terço a dependência da empresa em relação à Companhia de Energia de Minas Gerais (Cemig). Conferência de Copenhagen O aquecimento global causado pela emissão de gases poluentes está no centro da agenda ambiental. 

Em dezembro passado, 193 países se reuniram na 15ª Conferência das Partes (COP-15) da Convenção sobre Mudanças do Clima das Nações Unidas, em Copenhague, na Dinamarca. A finalidade do encontro foi estabelecer um novo acordo global para reduzir as emissões de gases de efeito estufa. No término da reunião, a maior parte dos chefes de Estado concordou em limitar o aquecimento global a 2ºC até o próximo século com a criação de um fundo que destinaria US$ 100 bilhões anualmente para o combate à mudança climática. Mas o acordo não alcançou unanimidade, protelando a decisão para uma próxima reunião em Bohn, na Alemanha, em junho, ou para a COP-16, prevista para ser realizada no México, ao final de 2010. 

Às vésperas da reunião de Copenhague, o Instituto de Pesquisa sobre Impactos do Clima de Potsdam, na Alemanha, divulgou documento de 64 páginas com a síntese dos trabalhos científicos desenvolvidos desde o quarto relatório do Painel Intergovernamental de Especialistas Sobre a Mudança Climática (IPCC), de 2007. O que mais chama a atenção no estudo é o apelo por uma ação imediata. E a razão é simples: devido ao atraso na adoção de medidas efetivas para conter o aumento das emissões de CO2, a temperatura na Terra poderá sofrer uma elevação impressionante de até 7º C até 2100. A previsão anterior era de que esse aumento ficaria na faixa entre 1,8ºC e 4ºC. 

Nos últimos 100 anos, a temperatura do planeta subiu 0,74ºC. À primeira vista, não parece um dado preocupante. Contudo, o que alarma os cientistas é que houve uma aceleração acentuada desse aquecimento nas décadas mais recentes. Para se ter ideia, dos 12 anos mais quentes registrados pela ONU, desde 1850, 11 ocorreram depois de 1995. Em 160 anos, a década de 2000 é de maior temperatura, conforme dados do Met Office, escritório britânico de meteorologia. Em 2009, registrou-se um aquecimento de 0,44ºC acima da média constatada entre 1961 e 1990. “Todos devemos saber a verdade sobre o aquecimento do planeta e os riscos sem precedentes que isso implica”, afirmou Hans Joachim Schellnhuber, diretor do Instituto de Potsdam e membro do IPCC. 

Para o Brasil, especificamente, as previsões também não são nada otimistas. Um estudo divulgado durante a COP-15, em Copenhague, mostrou que, nas próximas sete décadas, haverá mais secas na Amazônia e no Nordeste, com precipitações até 7% maiores em parte da Região Sul, em relação à média de 1961-1990. Como se não bastasse, o aumento da temperatura no Brasil poderá ser 20% superior à média mundial. Conforme o trabalho feito por cientistas do Instituto Nacional de Pesquisas Especiais (INPE) e pelo Centro Hadley, da Inglaterra, o aquecimento das águas dos oceanos Pacífico e Atlântico deverá alterar o regime de precipitações na América do Sul. Em especial, a bacia dos rios do Paraná e da Prata ficará entre 2% e 7% mais chuvosa até 2080.

Custo da catástrofe Os efeitos catastróficos do aquecimento global passam pela multiplicação descontrolada de fenômenos meteorológicos, como calor severo, secas persistentes e inundações. Nos últimos 15 anos, a alta do nível dos mares chegou a 3,4 milímetros por ano, patamar 80% superior às previsões feitas pelo IPCC. Por esse motivo, os especialistas agora estão considerando que, se as emissões de gases de efeito estufa não diminuírem, as águas marinhas poderão subir de um a dois metros até o final deste século. A mudança climática forçará até 1 bilhão de pessoas a deixarem suas casas nas próximas quatro décadas, conforme a Organização Internacional para a Migração (OIM). 

Apenas em 2008, 20 milhões de pessoas ficaram desabrigadas por causa de desastres naturais. “A migração acaba sendo uma opção para os grupos mais pobres e vulneráveis”, relata o documento da OIM. A pergunta é: o que fazer? Certamente, os esforços para diminuir drasticamente a emissão dos gases de efeito estufa terão um preço salgado – algo entre 1% e 2% do PIB global nos próximos 50 anos, de acordo com estimativas do Relatório Stern, divulgado em 2006 pelo economista britânico Nicholas Stern. A questão é que, se nada for feito, governos e empresas acumularão prejuízos muito mais significativos– algo equivalente a 20% do PIB mundial – nas próximas cinco décadas. A previsão foi feita pelo próprio Stern, que já ocupou o cargo de economista- chefe do Banco Mundial. 

Não apenas os governos e as organizações internacionais precisam estar comprometidos com a redução das emissões dos gases poluentes. Os cidadãos e, obviamente, as empresas também devem fazer a sua parte. Para o consumidor, uma das ferramentas de maior eficácia é o consumo consciente, que avançou consideravelmente nos últimos anos, principalmente na Europa. A regra é priorizar a compra de produtos ou serviços de organizações empresariais que estejam, de fato, comprometidas com a diminuição das emissões. Não por coincidência, a postura ambientalmente correta das companhias passou a ter uma relevância cada vez maior no mercado. 

Mercado regulador Para Paulo Moutinho, coordenador do Observatório do Clima (rede de articulação de pesquisadores e ambientalistas especializados em mudanças climáticas), é preciso ir além do discurso. Segundo ele, as empresas que realmente pretendem contribuir para frear o aquecimento global devem seguir um manual de três passos. Quais são eles? O primeiro é o da transparência no que se refere às emissões de gases de efeito estufa. “O movimento de responsabilidade social já está consolidado no meio empresarial. 

Falta agregar a ele iniciativas de responsabilidade ambiental e climática. A maneira mais direta de fazer isso é ter transparência total sobre a emissão que você está produzindo.” Além disso, as empresas devem propor metas de redução dessas emissões e se comprometer com um prazo para atingi-las. “As organizações poderiam se juntar em coalizões de setores para fixar protocolos a serem adotados individualmente ou em conjunto”, acrescenta Moutinho. 

Antes de tudo, porém, a mudança de postura empresarial precisa ser compreendida como investimento, e não como custo. Conforme o especialista, toda empresa que iniciar hoje um processo de redução de emissões terá enorme vantagem competitiva com lucros substanciais ali na frente. “Em primeiro lugar, porque o padrão de produção ambientalmente correto será cada vez mais valorizado no mercado global, seja no aço, na soja ou qualquer outro produto. Mas também porque as companhias já estarão se antecipando a normas obrigatórias no mercado interno ou externo, que certamente virão mais cedo ou mais tarde. Elas próprias estarão dando um exemplo positivo para um futuro mercado regulador”, acentua Moutinho. 

Os empresários brasileiros dispostos a operar em uma economia de baixo carbono já têm, inclusive, onde buscar apoio técnico e científico. Em outubro de 2009, foi lançada a Plataforma Empresas pelo Clima (PEC), iniciativa do Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getúlio Vargas. O objetivo da PEC é oferecer orientações e ferramentas para práticas de gestão das emissões de gases do efeito estufa e de sustentabilidade para os negócios. Em seu lançamento, a PEC já obteve a adesão de 21 empresas, entre elas, Shell, Camargo Corrêa, Banco do Brasil, Itaú, Suzano, Natura e TIM. 

Desenvolvimento limpo O setor do aço também está comprometido com as medidas que objetivam frear o aquecimento global. A indústria siderúrgica brasileira defende, por exemplo, a adoção de medidas em caráter voluntário de redução das emissões de gases de efeito estufa, conforme o Instituto Aço Brasil (IABr). A entidade também prega a criação de mecanismos de incentivo e financiamento para o desenvolvimento e a transferência de tecnologias que possibilitem a redução das emissões. Atualmente, os gases gerados no processo de produção do aço já são aproveitados para a co-geração de energia elétrica de 1.000 MWh, propiciando gerar montante de eletricidade superior a 7,8 milhões de MWh por ano. Além disso, 100% das escórias de alto-forno são utilizadas para a produção de cimento, em substituição ao clinquer, o que reduz significativamente as emissões de CO2. Hoje, a indústria siderúrgica brasileira tem 11 projetos de MDL (Mecanismo de Desenvolvimento Limpo) em operação ou avançado estágio de desenvolvimento. 

A CSN, que investe R$ 330 milhões por ano em meio ambiente, por exemplo, adota uma série de medidas específicas para reduzir a emissão de gases poluentes. Entre elas, destacam se controles operacionais em suas atividades produtivas, instalação de equipamentos para evitar a poluição, projetos de aperfeiçoamento de eficiência energética e seleção de matériasprimas e insumos. O total de investimentos para conter as emissões atingiu R$ 116,9 milhões em 2008. “A empresa busca a redução dos índices de emissão de poluentes a fim de atender às futuras normas nacionais e internacionais, visando a manter-se na vanguarda do setor siderúrgico”, afirma Helena Guerra, gerente de Meio Ambiente da CSN. Em sua avaliação, a redução dos danos ambientais agrega valor à companhia, pois demonstra para a sociedade o compromisso da organização com a sustentabilidade. “Isso traz a garantia de vantagens comerciais face às novas exigências dos consumidores, juntamente com a redução do risco ao negócio e o conseqüente aumento da segurança para os investidores”, acrescenta Helena. 

Também a Usiminas, que nos últimos dez anos investiu US$ 336 milhões em gestão e equipamentos de controle ambiental, gerencia permanentemente os impactos de suas atividades industriais. “Em relação às emissões atmosféricas, há um amplo acompanhamento daqualidade do ar nas áreas próximas às usinas. Esse monitoramento é realizado nas fontes e por meio de estações instaladas na comunidade, que avaliam a performance dos equipamentos e dos processos de controle das emissões atmosféricas. Na usina de Ipatinga, por exemplo, o gerenciamento da qualidade do ar na região do complexo siderúrgico é feito por meio de seis estações instaladas em diferentes bairros da cidade”, explica Eduardo Figueiredo, assessor de Meio Ambiente e Sustentabilidade da Usiminas. 

Cabe destacar que, em Cubatão, a usina da Usiminas foi a primeira do polo industrial a instalar o monitoramento das emissões de suas chaminés online com a Companhia de Tecnologia e Saneamento Ambiental de São Paulo (Cetesb/ SP), com o objetivo de promover o acompanhamento contínuo das fontes potenciais de emissões atmosféricas da usina. O acompanhamento é realizado por meio da avaliação da performance de 62 equipamentos de proteção ambiental e através de controle de processos e do monitoramento de 45 fontes fixas, cujos resultados atendem aos padrões legais, salienta Figueiredo. “Mais do que apenas desenvolver ações de meio ambiente, a Usiminas acredita que uma empresa se mostra realmente sustentável quando procura adequar a sua estratégia e os seus anseios à realidade local, ou seja, às comunidades nas quais têm influência”, acrescenta ele. A empresa está em fase de estudos para determinação de metas corporativas de redução de emissões. Existe também um processo em andamento para avaliação de oportunidades de participação no mercado de créditos de carbono. 

Créditos de carbono Para quem não sabe, o mercado de créditos de carbono surgiu em dezembro de 1997 com a assinatura do Protocolo de Kyoto, que determinava a redução das emissões em nível global. O protocolo estabeleceu que, caso seja impossível atingir as metas determinadas por meio da efetiva redução das emissões dos gases, os países desenvolvidos poderão comprar créditos de outras nações que possuam projetos de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL). 

A Arcelormittal Brasil aproveitou bem essa oportunidade. Já desenvolve sete projetos desse novo mercado por meio de duas empresas controladas, a Arcelormittal Tubarão e a Arcelormittal Aços Longos. A estimativa da companhia é a de que os projetos possam gerar mais de 11 milhões de toneladas de CO2 em créditos de carbono ao longo de um período de dez anos. A Arcelormittal Tubarão já obteve receita de US$ 5 milhões com a venda de créditos de carbono para o banco alemão Kreditanstalt fuer Wiederaufbau (KFW). Iniciado em 2004, o projeto recupera gases provenientes dos processos de fabricação do aço e tem potencial de gerar créditos, em dez anos, de 430 mil toneladas de CO2. Os gases da aciaria são reaproveitados em quatro usinas termelétricas, que possuem capacidade instalada de 286 MW de geração de energia elétrica. 

Outros dois projetos de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) estão em andamento na Arcelormittal Tubarão. O primeiro, em fase de validação, é o processo de recuperação de calor, denominado heat recovery, com a produção de 170 MW de energia elétrica na central termelétrica da Sol Coqueria. O programa tem potencial de gerar créditos, em sete anos, de 3.700 toneladas de CO2. 

O segundo projeto da Arcelormittal Tubarão é o do Terminal de Barcaças Marítimas, que iniciou suas operações em setembro de 2006 no complexo portuário de Tubarão, em Vitória (ES). Com investimento de R$ 15 milhões, o terminal foi construído para o transporte de 1,1 milhão de toneladas anuais de bobinas a quente para a Arcelormittal Vega, em Santa Catarina. 

Quatro barcaças estão em operação por meio do sistema de cabotagem, transportando bobinas de aço que, caso contrário, utilizariam 110 caminhões por dia, por 1.170 km, entre as cidades de Vitória (ES) e São Francisco do Sul (SC). O deslocamento da carga via transporte marítimo contribuirá para a redução das emissões de gases de efeito estufa, provenientes da queima dos combustíveis dos caminhões, que deixarão de circular nas estradas brasileiras. A estimativa é a de que sejam geradas 640 mil toneladas de créditos de carbono nos próximos dez anos. 

Já a Arcelormittal Aços Longos desenvolve quatro projetos de redução de emissões de gases de efeito estufa. Todos estão associados ao uso de biomassa renovável (carvão vegetal) para a fabricação sustentável de gusa. A projeção é a de que estas iniciativas reduzirão as emissões de CO2 em aproximadamente 10 milhões de toneladas em uma década. Os projetos envolvem a Arcelormittal BioEnergia, produtora do biorredutor sólido renovável (carvão vegetal) a partir da produção de florestas renováveis de eucalipto em 21 municípios nos estados de Minas Gerais e Bahia, e a Arcelor- Mittal Juiz de Fora, produtora de laminados de aço em Juiz de Fora (MG). 

Por sua vez, a Gerdau possui eficientes sistemas para a redução das emissões atmosféricas em suas usinas siderúrgicas. Esses sistemas buscam tratar os gases que resultam do processo de produção do aço, transformandoos em co-produtos que são reaproveitados em outros segmentos industriais. Nas empresas adquiridas pela Gerdau nos últimos anos, aliás, os procedimentos para a diminuição das emissões de gases poluentes são tratados como prioridades de investimentos. 

A finalidade é adequá-las ao patamar já alcançado nas demais unidades. Em 2008, por exemplo, o índice de emissão de dióxido de carbono na totalidade das usinas da Gerdau foi de 557 quilos por tonelada de aço produzida. Felizmente, o indicador está bem abaixo da média da siderurgia mundial, que é de 1,9 mil quilos, conforme dados da World Steel Association. 

Saiba mais: 

Previsões Geladas
Na contramão dos que denunciam o aquecimento global, alguns especialistas afirmam categoricamente que tudo não passa de um fenômeno natural, que nada tem a ver com a ação humana e, especificamente, com as emissões poluentes. Entre eles, está o meteorologista da Universidade Federal de Alagoas, Luiz Carlos Molion, representante da América do Sul na Comissão de Climatologia da Organização Meteorológica Mundial (OMM). Para ele, não apenas o aquecimento global não existe como a Terra deverá passar por um período de resfriamento nos próximos 22 anos.

Ele afirma que as alterações climáticas resultam da maior ou menor atividade do sol, responsável por 98% do calor da Terra. “Registros de atividade solar da época de Galileu mostram que, por exemplo, o sol esteve em baixa atividade em 1820, depois entrou em baixa atividade novamente no final do século 19 e início do século 20. Agora o sol deve repetir esse pico, passando os próximos 22, 24 anos, com baixa atividade”, garantiu Molion à Folha de S. Paulo.

A crítica dos céticos em relação ao aquecimento global foi reforçada depois que veio a público que cientistas britânicos manipularam dados sobre o aquecimento global para fortalecer o argumento de que mudanças climáticas têm origem em ações humanas. Contudo, os céticos ainda são minoria. “No mundo, 98% dos cientistas em climatologia concordam que as mudanças climáticas se devem à atividade humana. No Brasil, apenas três ou quatro acreditam que não é preciso prevenir. Para eles, o melhor é deixar acontecer para ver como fica no futuro”, rebate Hilton Silveira Pinto, da Unicamp. 

Os efeitos no Campo 

Uma pesquisa inédita que está sendo realizada no Brasil pretende mostrar qual será o cenário dos impactos econômicos provocados pelo aquecimento global na área da agricultura. Financiado pela Embaixada Britânica, que destinou R$ 500 mil para custear o projeto, o estudo foi iniciado em junho de 2009 e deverá ser concluído no prazo de quatro anos. O trabalho está a cargo do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (Cepagri), da Unicamp. 

Os efeitos do aumento da temperatura serão avaliados tanto nas pastagens quanto em nove diferentes plantas – algodão, cana-de-açúcar, milho, soja, feijão, arroz, café (arábico e robusto) e mandioca. “O objetivo é desenhar um cenário mais próximo possível da realidade”, diz o diretor do Cepagri, Hilton Silveira Pinto, engenheiro agrônomo com pós-graduação em climatologia e meteorologia. 

Conforme ele, a finalidade do projeto é chegar a um documento semelhante ao Relatório Stern, através do qual a comunidade científica, as autoridades e a sociedade tenham novos e valiosos elementos para discutir que medidas deverão ser adotadas. Uma das vantagens do estudo é a possibilidade de oferecer modelos regionais. Até aqui, as projeções brasileiras sobre os impactos das variações climáticas têm se baseado em estimativas mundiais, como as formuladas pelo IPCC. “Um país com as dimensões do Brasil terá variações diferentes de temperatura. O aquecimento na Amazônia não será igual ao da Região Sul, por exemplo. 

Como estamos trabalhando com agricultura, a estimativa precisa ser mais detalhada”, explica o professor da Unicamp. De acordo com os especialistas da Unicamp, as áreas de cultivo serão drasticamente reduzidas caso a temperatura média do planeta suba 5,8ºC até 2100. Café ar ábico : pode desaparecer do mapa nos Estados de São Paulo, Minas Gerais e Goiás. A perda será de 25%, caso a variação de temperatura se mantiver em 1ºC. A tendência seria a de migração dessa cultura para o Sul do país, devido ao clima aquecido. 

Arroz: o aumento de 1ºC na temperatura fará com que a área cultivável caia de 3,7 milhões para 3,4 milhões de quilômetros quadrados. No caso de elevação de 5,8ºC, a área será encurtada para apenas 1,8 milhão de quilômetros quadrados. Soja : a previsão também não é otimista. A área encolherá de 2 milhões para 900 mil quilômetros quadrados. 

Tijolo Ecológico 

Quando o tema é sustentabilidade, as empresas gaúchas estão oferecendo boas lições. Um exemplo é a GKN do Brasil, com fábrica em Charqueadas. A reciclagem dos resíduos provenientes da Estação de Tratamento de Efluentes de Fosfato da unidade resultou em um projeto pioneiro de fabricação de tijolos, desenvolvido em parceria com a Universidade do Vale do Rio do Sinos (Unisinos) e a Olaria Brasil. Denominado Bioblock, o produto está sendo utilizado com sucesso pela indústria da construção civil. 

Com o mesmo nível de propriedades mecânicas e durabilidade de um tijolo comum, o Bioblock usa menos argila em sua composição, reduzindo o impacto ambiental da extração de argila, além de preservar este recurso natural não-renovável. O projeto do tijolo ecológico foi premiado na terceira edição do GKN Group Excellence Awards, em 2008, na categoria Desenvolvimento Sustentável – Meio Ambiente. A premiação é instituída pelo grupo para iniciativas que busquem a excelência nos negócios. 

Outro destaque em matéria de sustentabilidade é o projeto Gestão Sustentável dos Recursos Hídricos: Reuso de Água, da AGCO do Brasil. A iniciativa busca a utilização mínima de água nos processos produtivos da fábrica de Canoas com máxima proteção ambiental e menor custo. Graças ao projeto, o efluente final tratado é reutilizado para descarga em todos os sanitários da empresa, lavagens industriais, posto de lavagem de tratores, rede de hidrantes, irrigação paisagística e preparação de emulsões oleosas. A grande vantagem é a preservação da água potável exclusivamente para atendimento de necessidades que exigem sua potabilidade, como o abastecimento humano. 

Fonte: Revista Panorama do Aço 2010
Responsabilidade: Associação do Aço do Rio Grande do Sul

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